Durante a primeira mesa de negociação com a Caixa, realizada na quarta-feira (8), em São Paulo, representantes do banco apresentaram ações e indicadores relacionados à diversidade e à inclusão, além das metas estruturais previstas para 2026. A Caixa informou que conta com oito comissões de diversidade e que, desde maio, está realizando o seu primeiro Censo de Diversidade, voltado exclusivamente aos empregados e empregadas da instituição.
Também foram apresentados dados sobre ações de letramento LGBTQIA+, acessibilidade física e digital, formação em Libras, oficinas de inclusão PcD, mentoria para mulheres e pessoas pretas, pardas e indígenas, além de metas para ampliar a presença de mulheres e pessoas negras, indígenas, amarelas e PcD em cargos de gestão (leia aqui)
A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) reconheceu a importância das iniciativas, mas cobrou mais dados para que possa analisá-las com mais cuidados. “Não foram apresentados dados sobre igualdade racial e não há políticas para atender demandas de PcD. Também é preciso garantir a renda de mulheres vítimas de violência doméstica que precisem ser transferidas para se sentirem seguras de que não voltarão a sofrer violências do agressor”, observou a representante da Fetrafi Nordeste, Cândida Fernandes (Chay).
A representação das empregadas e empregados reivindicou que as políticas de diversidade sejam garantidas no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), para que não dependam apenas da vontade de cada gestão. Cobrou também a informação prévia das reuniões aos representantes sindicais nos comitês e espaços internos que discutem diversidade, para que a participação do movimento sindical seja efetiva.
“Programas são importantes, mas direitos precisam estar protegidos em Acordo Coletivo. Quando colocamos esses compromissos no ACT, damos estabilidade às políticas, garantimos acompanhamento e criamos instrumentos para cobrar avanços concretos”, afirmou o representante da Federa-RJ, Rogério Campanate.
PcD e neurodivergentes cobram avanços
Um dos pontos mais debatidos foi a pauta das pessoas com deficiência e neurodivergentes. A representação dos empregados relatou dificuldades no enquadramento de pessoas autistas como PcD e cobrou mais participação dos próprios empregados PcDs na construção de cartilhas, normas e políticas internas.
A CEE lembrou que houve avanços no ACT anterior para pais e mães de filhos com deficiência, mas destacou que é preciso avançar também nos direitos dos próprios empregados PcD. A minuta reivindica reconhecimento da pessoa autista como pessoa com deficiência, desburocratização dos processos de enquadramento, adaptações razoáveis, acessibilidade nas unidades, acompanhamento multidisciplinar, combate ao capacitismo e fiscalização sindical dos critérios usados pela Caixa.
Outro ponto cobrado foi o teletrabalho para empregados PcD e neurodivergentes, quando houver recomendação técnica ou médica. A CEE apontou desigualdades entre unidades, com colegas em situações semelhantes recebendo tratamentos diferentes.
A representação dos empregados defendeu que as condições de saúde e acessibilidade precisam ser tratadas como direito, não como concessão da chefia.
“Não se trata de privilégio. Estamos falando de acessibilidade, inclusão e condições reais de trabalho. A Caixa precisa garantir que empregados PcDs e neurodivergentes tenham suas necessidades respeitadas, sem depender da sensibilidade de cada gestor ou de judicialização”, disse a dirigente da Apcef/SP e coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.
Mulheres, raça, LGBTQIA+ e etarismo
A representação dos empregados também cobrou dados mais completos sobre raça, gênero, idade, orientação sexual, cargos, funções e evolução na carreira. A avaliação da CEE é que só é possível medir a efetividade das políticas de diversidade com transparência e acompanhamento permanente.
Durante a reunião, foi destacado que os dados apresentados sobre mulheres em cargos de chefia precisam ser aprofundados. A CEE questionou quantas mulheres chegam aos cargos mais altos, como ocorre o encarreiramento após os 40 anos e qual é a presença feminina nas vice-presidências e demais posições estratégicas.
Na pauta racial, a representação cobrou informações sobre onde estão as pessoas negras na estrutura da Caixa, como evoluem na carreira e quais são os protocolos efetivos para casos de racismo praticados por clientes, gestores ou colegas. A representante da Fetrafi-NE defendeu que a Caixa disponibilize apoio psicológico e jurídico, por meio das Gipes, para empregados vítimas de racismo.
“Não basta divulgar uma norma ou dizer que existe protocolo. A vítima precisa saber a quem recorrer, precisa ser acolhida e precisa ter segurança de que não será retaliada. Racismo é violência, e a Caixa tem obrigação de proteger seus empregados”, afirmou.
Também foi reforçada a cobrança por estabilidade de renda e proteção funcional para empregadas vítimas de violência doméstica, além de medidas permanentes contra LGBTfobia, discriminação de gênero e etarismo.
Calendário de negociação
A CEE reforçou que as empregadas e empregados devem acompanhar os canais oficiais da Contraf-CUT, Fenae, Apcefs e sindicatos para se manterem informados sobre o andamento das negociações. As próximas mesas específicas com a Caixa estão previstas para os dias 17, 23 e 31 de julho, em São Paulo.
“A mobilização da categoria é fundamental. Negociação forte depende de empregado informado, organizado e acompanhando cada passo da campanha. Vamos seguir cobrando avanços reais, tanto no Saúde Caixa quanto na diversidade, porque esses temas mexem diretamente com a vida das pessoas”, concluiu Luiza Hansen.
As negociações específicas com a Caixa continuam em julho. A orientação é que empregadas e empregados acompanhem os sites e redes sociais da Contraf-CUT, e de seus sindicatos para se manterem informados e mobilizados.
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