Daniella Marques presidiu a Caixa Econômica Federal de julho de 2022 a janeiro de 2023. Foi nomeada para o cargo após a saída de Pedro Guimarães, em meio a denúncias de assédio sexual e moral feitas por empregadas do banco.
“A impressão é que foi muito conveniente indicar uma mulher para a presidência da Caixa após os escândalos das denúncias de assédio moral e sexual de seu antecessor. Durante sua gestão, não houve a apuração de condutas e nem mudanças das políticas de gestão da Caixa”, lembrou a presidenta da Apcef/SP, Vivian Sá.
Somente em março de 2023, a Justiça Federal aceitou a denúncia de assédio do Ministério Público Federal tornando o ex-presidente réu.
Promessas de valorização contrastam com propostas trabalhistas
Atualmente, Daniella integra a equipe econômica da campanha presidencial do candidato do Partido Liberal (PL). Em vídeo direcionado a servidores públicos e empregados da Caixa e do Banco do Brasil, ela afirma que o candidato não pretende retirar direitos, reduzir salários ou alterar as regras de estabilidade.
Também faz parte da proposta da equipe econômica do candidato do PL retomar o Programa Nacional de Desestatização (PND), com avaliações caso a caso sobre a permanência do Estado em determinadas atividades econômicas.
Apesar de afirmarem que a Caixa, o Banco do Brasil e a Petrobras não serão privatizadas, é importante salientar que a privatização integral de uma empresa não é a única forma de ampliar a presença privada em suas atividades.
O precedente do governo Temer e a gestão Paulo Guedes
A discussão sobre desestatizações envolvendo ativos ligados à Caixa não é nova. Durante o governo Michel Temer (2016-2018), a Lotex, loteria instantânea vinculada ao banco, foi incluída no Programa Nacional de Desestatização.
Durante o governo Jair Bolsonaro (2019-2022), sob a condução econômica do ministro Paulo Guedes, foram adotadas medidas voltadas à reorganização societária e ao desinvestimento de ativos da Caixa e de suas subsidiárias. Em abril de 2021, a Caixa Seguridade abriu seu capital na bolsa de valores. Guedes também defendia publicamente a agenda de privatizações e a venda de ativos estatais
Daniella Marques integrou a equipe do então ministro da Economia, Paulo Guedes, no governo Jair Bolsonaro.
Propostas precisam ser confrontadas com as promessas
O discurso oficial de Daniella Marques enfatiza a preservação de direitos, a estabilidade e a valorização profissional. No entanto, em entrevistas e afirmações em vídeos, as colocações são diferentes. É necessário considerar o conjunto das propostas defendidas pelos candidatos, especialmente relacionadas às mudanças nas relações de trabalho, à redução de despesas públicas, dos investimentos ou desinvestimentos e à retomada das desestatizações.
A comparação com o programa de Lula (PT) evidencia diferenças gritantes de orientação econômica e trabalhista. Enquanto a campanha petista defende a preservação e a ampliação de garantias trabalhistas e atribui papel relevante ao Estado na promoção do desenvolvimento, a proposta de Flávio Bolsonaro enfatiza a redução dos custos de contratação e maior flexibilidade nas negociações entre empregados e empregadores.
“Os trabalhadores precisam conhecer os planos de governo e o histórico de atuação de quem disputa a Presidência da República. É importante ir além dos discursos e observar quais medidas foram adotadas anteriormente e quais propostas estão sendo apresentadas para o futuro. Essas decisões têm impacto direto sobre os direitos dos trabalhadores, as condições de trabalho e o papel das empresas públicas, como a Caixa. Estar bem-informado é essencial para compreender o que cada projeto representa para o futuro do banco público e dos empregados, mas, principalmente, para o futuro de todos os brasileiros e brasileiras”, reforçou a presidenta da Apcef/SP, Vivian Sá.