O Conselho de Usuários do Saúde Caixa (CUSC) participou, nesta quarta-feira (21), de sua 3ª Reunião Ordinária com representantes da Gerência Nacional de Saúde (GESAD) da Caixa. O encontro on-line abordou os resultados financeiros do plano, o programa de medicamentos oncológicos, a ampliação da rede credenciada, as melhorias no atendimento e as demandas dos beneficiários.

Na abertura, a coordenadora do CUSC, Aline Cardoso Pereira, destacou a importância do diálogo diante das dúvidas e reivindicações dos usuários, especialmente após as negociações coletivas. O Conselho apresentou questionamentos sobre a gestão do plano e defendeu maior participação nos espaços de discussão.

Resultados financeiros e déficit do plano

A Caixa informou que, até setembro de 2026, o Saúde Caixa registrou R$ 2,883 bilhões em receitas e R$ 3,398 bilhões em despesas, resultando em déficit de R$ 515 milhões. Os gastos incluem assistência à saúde, PAMS e custos administrativos. O CUSC pediu que esses valores sejam apresentados separadamente e questionou a arrecadação com coparticipações, abaixo da projeção. A Caixa explicou que o aumento da complexidade dos atendimentos, como internações e tratamentos oncológicos, elevou as despesas, sem aumento proporcional das coparticipações.

Programa de medicamentos oncológicos

Implementado em março de 2026, o Programa de Fornecimento de Medicamentos Oncológicos Orais prevê entrega domiciliar e acompanhamento farmacêutico. Segundo a Caixa, a negociação direta proporciona preços cerca de 30% menores. Até setembro, eram 164 medicamentos contemplados e 187 beneficiários participantes, com R$ 1,97 milhão em custos evitados. A projeção é de economia de aproximadamente R$ 10 milhões em 12 meses.

O CUSC questionou a baixa adesão e pediu ampliação da cobertura, inclusive para tratamentos de cânceres raros, além de melhor divulgação da iniciativa. A Caixa informou que negocia a inclusão de novos medicamentos e se comprometeu a manter o Conselho informado sobre as atualizações.

Ampliação da rede e convênios

A Caixa apresentou o convênio de reciprocidade com a Cassi. A parceria deverá alcançar beneficiários residentes em 1.416 municípios e acrescentar cerca de 13 mil profissionais, mais de 800 hospitais, 250 clínicas multidisciplinares e 54 especialidades. O atendimento será destinado a beneficiários residentes nas localidades contempladas, conforme o cadastro do plano.

Os conselheiros também cobraram informações sobre as negociações com a Central Nacional Unimed (CNU), que ainda enfrentam pendências contratuais e divergências sobre valores. A Caixa reconheceu a importância da rede em regiões com poucas alternativas de atendimento, mas não apresentou previsão para a conclusão das tratativas.

Melhorias no atendimento

A Caixa apresentou ações do Grupo de Trabalho (GT) de Experiência dos Beneficiários, criado para agilizar respostas e reduzir reclamações. Segundo os dados divulgados, o volume de queixas caiu cerca de 65% entre maio e agosto. Entre as medidas estão canais para reanálise de autorizações negadas, com prazo de resposta de 24 horas pela auditoria médica, melhorias no site e no WhatsApp e informações mais completas sobre prestadores e terapias para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA).

O CUSC destacou a importância de divulgar melhor as ferramentas e solicitou pesquisas de satisfação. A Caixa informou que prepara um plano de comunicação e prevê a entrada de uma nova empresa de atendimento no início de 2027, com equipes específicas para beneficiários e prestadores.

Aplicativo, cobranças e transparência

Os conselheiros sugeriram melhorias no aplicativo, como acesso ao extrato financeiro anual e divulgação de programas e novidades na tela inicial. A Caixa registrou as propostas para avaliação e explicou que as atualizações dependem da empresa responsável pelo desenvolvimento.

Outro pedido foi a criação de mecanismos para que os beneficiários confirmem os procedimentos realizados, ajudando a identificar possíveis cobranças indevidas. A Caixa reconheceu a relevância da demanda, mas apontou desafios contratuais, jurídicos e regulatórios. O Conselho também pediu mais previsibilidade nos valores de coparticipação e um canal ágil para casos urgentes de autorização hospitalar. A empresa informou que estuda alternativas para aprimorar esses processos.

Credenciamento e custos administrativos

A rede do Saúde Caixa conta com cerca de 17 mil credenciados, e a parceria com a Cassi deverá ampliar a oferta em aproximadamente 13 mil prestadores. A Caixa também relatou negociações com hospitais e dificuldades para estabelecer pacotes de procedimentos, que podem resultar em restrições ou suspensões de atendimento. O CUSC pediu que os usuários sejam informados sobre os motivos dessas decisões, sobretudo em localidades com poucas opções.

Questionada sobre os custos administrativos dos convênios de reciprocidade, a Caixa explicou que considera as horas de trabalho das equipes e as despesas operacionais, jurídicas e contábeis. Segundo os representantes, os valores são calculados e submetidos a controles e auditorias para garantir o ressarcimento pelos parceiros.

Participação do Conselho e demandas institucionais

O CUSC solicitou que a Caixa analise uma pesquisa elaborada por um grupo de usuários e apresente respostas sobre os pontos levantados, incluindo possíveis distorções de valores e irregularidades. A empresa se comprometeu a avaliar os dados.

O Conselho também entregou um documento com demandas que incluem maior participação nos grupos de trabalho e espaços de discussão sobre o plano, respostas formais aos questionamentos e mais transparência sobre as medidas para garantir a sustentabilidade do Saúde Caixa. Entre as reivindicações está a retomada do custeio de 70% pela Caixa e 30% pelos beneficiários, ou a ampliação do limite de contribuição da empresa. O CUSC defendeu ainda maior atenção às demandas de aposentados e pensionistas.

A Caixa reconheceu a importância de aproximar o Conselho da gestão do plano e se comprometeu a responder aos pontos apresentados e buscar novas oportunidades de diálogo. O CUSC reforçou que a participação dos beneficiários, a transparência e a melhoria contínua dos serviços são fundamentais para fortalecer a confiança dos usuários e a sustentabilidade do Saúde Caixa.

Compartilhe: