A pandemia de Covid-19 colocou à prova a capacidade de atendimento da Caixa e evidenciou a importância do banco na execução de políticas de proteção social. Em um período marcado por incertezas, desemprego e perda de renda, o banco assumiu papel central na operacionalização do Auxílio Emergencial, garantindo que milhões de brasileiros tivessem acesso a recursos essenciais para enfrentar a crise. Ao mesmo tempo, seus empregados precisaram lidar com o aumento da demanda, as longas filas nas agências e os riscos de contaminação pelo coronavírus.
Em 2020, o Auxílio Emergencial alcançou mais de 67,8 milhões de beneficiários. Para viabilizar os repasses, a Caixa criou do zero e administrou contas digitais, ampliando o acesso aos recursos. A operação direta de pagamento ficou concentrada na Caixa, enquanto outras instituições financeiras não quiseram assumir a responsabilidade pela distribuição do benefício. A concentração gerou críticas e levou entidades representativas dos trabalhadores a defender a ampliação da participação de outras instituições, como forma de reduzir as filas e a sobrecarga nas agências.
O volume de atendimentos trouxe desafios enormes. A procura pelo benefício provocou aglomerações e filas nas unidades, em um momento no qual ainda não havia vacinas disponíveis contra a Covid-19. Os primeiros imunizantes só começaram a ser aplicados no Brasil em janeiro de 2021. Assim, durante os meses iniciais da pandemia, os empregados precisaram conciliar o atendimento à população com a preocupação com a própria saúde e a de seus familiares.
Empregados expostos e entidades mobilizadas
Diante da emergência sanitária, entidades representativas dos trabalhadores, entre elas a Apcef/SP, a Fenae, a Contraf-CUT e os sindicatos, cobraram medidas para reduzir a exposição ao vírus e preservar vidas. Entre as reivindicações estavam o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs), a adoção de protocolos sanitários, a redução das atividades presenciais, o trabalho remoto, a testagem, a suspensão ou revisão de metas comerciais e a implantação de escalas de rodízio entre as equipes.
A proposta de rodízio diminuía a exposição dos empregados. Ao mesmo tempo, a alternância entre períodos presenciais e de trabalho remoto permitia que observassem possíveis sintomas e evitassem transmitir o vírus em caso de infecção.
Apesar dos esforços de prevenção e das reivindicações das entidades, empregados da Caixa e trabalhadores terceirizados adoeceram e morreram em decorrência da Covid-19. As perdas deixaram marcas profundas. O livro Somos – Uma história contada por outras histórias, lançado pela Apcef/SP em 2022, reuniu relatos e memórias que ajudam a registrar as experiências vividas pelos empregados durante a pandemia, dando visibilidade à dor, ao luto e às histórias que não podem ser esquecidas.
Brasil esteve entre os países mais atingidos pela pandemia
A crise sanitária teve consequências devastadoras no Brasil. Até dezembro de 2022, o país havia registrado aproximadamente 694 mil mortes por Covid-19, ficando atrás apenas dos Estados Unidos em número absoluto de óbitos. Quando considerada a população, a mortalidade brasileira também se destacou: foram cerca de 3.223 mortes por milhão de habitantes, quase quatro vezes a média mundial, de 839 por milhão, no mesmo período.
Os números de mortes oficialmente registradas, contudo, não representam toda a dimensão da tragédia. As estimativas de mortalidade excedente — que calculam quantas mortes ocorreram além do esperado em condições normais, considerando os efeitos diretos e indiretos da pandemia — apontam para um impacto ainda maior. Um estudo publicado na revista científica The Lancet estimou aproximadamente 792 mil mortes excedentes no Brasil entre 2020 e 2021. Para o mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou cerca de 14,9 milhões de mortes excedentes no mesmo intervalo.
A vacinação contra a Covid-19 começou no Brasil apenas em janeiro de 2021, meses depois do início das campanhas em outros países, em meio a atrasos nas negociações e na aquisição de imunizantes. Durante esse período, os empregados da Caixa continuaram atendendo presencialmente milhões de pessoas, sem a proteção oferecida pelas vacinas.
Uma experiência que marcou a história do banco
A experiência do atendimento durante a pandemia reforçou a importância do banco público e de seus empregados, lembrando que a garantia de serviços essenciais à população não pode significar negligenciar a segurança de quem os realiza.
Relembrar esse período e as decisões tomadas por quem esteve à frente do país e do banco é também uma forma de avaliar propostas, reconhecer os impactos das escolhas políticas e fazer um voto consciente, considerando o que já aconteceu e o futuro que queremos para a Caixa e para o Brasil.