A Apcef/SP decidiu antecipar uma mudança que está no centro do debate sobre o futuro das relações de trabalho no Brasil: o fim da escala 6×1. A Associação adotou, em suas unidades de lazer, a escala 5×2, com dois dias de descanso por semana, e reduziu a jornada de trabalho das atuais 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.

A decisão foi tomada após a realização de um estudo de viabilidade pela Apcef/SP, que avaliou a implantação da nova jornada de modo a garantir melhores condições de trabalho aos trabalhadores sem prejudicar a qualidade do atendimento oferecido aos associados.

O anúncio oficial foi feito no dia 22 de julho, durante visita à Colônia de Ubatuba. Na ocasião, a diretora-presidente da Apcef/SP, Vivian Sá, e o diretor da Associação, André Sardão, comunicaram a novidade aos empregados.

Com a nova organização, os trabalhadores terão dois dias de folga por semana, de preferência com dois domingos de descanso por mês, e jornada reduzida de 44 para 40 horas semanais.

Uma pauta que avança no Brasil

A iniciativa da Apcef/SP se antecipa a uma mudança que vem sendo defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que ganhou força no debate nacional sobre as condições de trabalho. A redução da jornada e o fim da escala 6×1 integram uma agenda de valorização dos trabalhadores, com mais tempo para descanso, convivência familiar, lazer e cuidados pessoais.

O presidente Lula atuou politicamente para destravar a tramitação da PEC no Senado, inclusive em conversas com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Em 2 de setembro, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de trabalho, sem redução salarial. A votação foi simbólica e contou com 27 senadores presentes. Houve quatro votos contrários: Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS).

A proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e, com a aprovação na CCJ, avançou mais uma etapa no Senado. Agora, precisa ser analisada e aprovada em dois turnos pelo Plenário do Senado para seguir adiante.

Para a presidenta da Apcef/SP, Vivian Sá, a mudança representa um investimento nas pessoas e no ambiente de trabalho. “Não é uma decisão fácil de se tomar antes da promulgação da lei. Enquanto empresas do setor não o fizeram, decidimos fazer um estudo de viabilidade e antecipamos a decisão, pois o tipo de sociedade que a Apcef defende é aquela onde haja melhores condições de trabalho. Dentro e fora da Associação. A redução da jornada proporciona mais tempo para descanso, convivência familiar, lazer e cuidados com a saúde, fatores que contribuem para a satisfação e o engajamento dos empregados”, completou.

A medida foi anunciada também na Subsede de Bauru, no clube da capital e às equipes das unidade de Avaré, Campos do Jordão e Suarão.

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