Novidades no programa Super Caixa, anunciadas a apenas 19 dias do encerramento do ciclo e desconsiderando as questões levadas pela CEE Caixa ao longo de meses, demonstram, mais uma vez, o distanciamento da gestão da empresa em relação aos seus trabalhadores.
De fato, o Super Caixa não é um programa que, atualmente, contempla todos os empregados. Ao contrário, um dos principais problemas é o fato de oferecer uma renda variável que, desde sua concepção, é excludente. No entanto, as insatisfações em torno do tema têm levado mais empregados à compreensão de que é necessário não apenas o trabalho cotidiano para alcançar resultados e reconhecimento, mas também mobilização e participação ativa na luta.
Atingir todas as metas e sempre mais
As resoluções da nova NR-1 parecem ter passado despercebidas pela gestão da Caixa. Foi especialmente desrespeitoso não apenas ignorar todas as demandas e intervenções apresentadas pelos sindicatos de todo o país, mas também promover essas mudanças no apagar das luzes do ciclo, uma semana após entrarem em vigor as novas regras sobre os riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
A categoria bancária ocupa posição central nesse contexto, diante do crescente adoecimento de seus trabalhadores. A nova NR traz, segundo matéria veiculada pela Contraf-CUT (leia aqui), novos fatores que passaram a integrar o foco da fiscalização, entre eles: metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral e sexual, pressão excessiva, sobrecarga, conflitos interpessoais e falhas na organização do trabalho.
O Super Caixa, em seu modelo anterior, já tangenciava quase todos os pontos abrangidos pela NR-1. Com as mudanças implementadas no meio do ciclo, que dificultam ainda mais o atingimento das metas, o programa amplia a pressão e a sobrecarga, evidenciando o caráter abusivo de algumas exigências. Tudo isso foi imposto sem qualquer debate sobre os impactos à saúde dos trabalhadores, apesar do aumento no número de afastamentos registrado nos últimos anos, conforme dados disponibilizados pelo INSS.
“A única coisa que os trabalhadores ganharam com as mudanças foi um convite à mobilização”, afirmou o diretor de Relações Sindicais da Apcef/SP, André Sardão.
Nos próximos dias, os trabalhadores debaterão as mudanças para a construção da minuta de negociação que deverá ser apresentada à Caixa ainda neste mês. A Conferência organizada pela Fetec-CUT/SP, realizada na Apcef/SP em 16 de maio, já contemplou questões relacionadas ao tema, que agora ganham força na pauta da negociação coletiva deste ano.
“Os empregados estão cada vez mais adoecidos, e esse comportamento da Caixa precisa acabar. Acreditamos que não será apenas o diálogo que resolverá a situação. Será necessário que os empregados estejam unidos aos seus sindicatos e à Apcef/SP para fortalecer a campanha e conquistar o respeito que merecem”, completou a diretora-presidenta da Apcef/SP, Vivian Sá.