Na quinta-feira (26/02), a Caixa Seguridade publicou suas demonstrações financeiras do exercício de 2025. A holding, braço da Caixa na comercialização de seguros, previdência, capitalização e consórcio, registrou um lucro anual de R$ 4,3 bilhões, crescimento de 14% em relação a 2024. O resultado representa um recorde na história da companhia.
As demonstrações também destacam a distribuição de dividendos aos acionistas no ano, que alcançou R$ 3,93 bilhões. A cifra corresponde a 91,39% do lucro do exercício e chama a atenção por ocorrer no mesmo ano em que a Caixa – controladora da holding – se desfez de parte das ações sob seu controle, ampliando ainda mais a participação de acionistas minoritários nesse resultado.
Outro dado relevante é o peso das receitas com corretagem no desempenho da CXSE3. O total de receitas auferidas no ano foi de R$ 5,7 bilhões, sendo R$ 2,25 bilhões decorrentes de corretagem/intermediação da venda de produtos, quase 40% das receitas totais. O número evidencia a centralidade do trabalho realizado nas unidades da Caixa e contrasta com o sentimento de desvalorização percebido pelos empregados após as mudanças nas regras de pagamento das comissões de venda, hoje submetidas aos critérios mais restritivos do regulamento do SuperCaixa.
Para a conselheira eleita pelos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Fabiana Uehara (Fabi), os números escancaram uma incoerência entre o desempenho financeiro e a política de reconhecimento aos trabalhadores.
“Os resultados comprovam que quem gera esse lucro são as empregadas e os empregados da Caixa, que estão diariamente na linha de frente atendendo a população e comercializando os produtos da Caixa Seguridade. Não é razoável que, ao mesmo tempo em que a empresa distribui quase todo o lucro aos acionistas, o regulamento do SuperCaixa restrinja comissões e aumente a pressão por metas. Valorização precisa aparecer também na remuneração e nas condições de trabalho”, afirma.
“O resultado da Caixa Seguridade reforça tanto nossa posição de que o follow on não foi positivo para a Caixa, pois a empresa abriu mão de receber um expressivo valor adicional de dividendos, quanto a nossa crítica sobre o regulamento do SuperCaixa, que, exatamente no ano em que a Caixa Seguridade conquistou um lucro recorde, graças ao trabalho dos empregados que vendem os produtos, tornou o pagamento das comissões pelas vendas mais restritivo. Não é à toa que o sentimento em relação às alterações é de desvalorização e de indignação”, critica o diretor-presidente da Apcef/SP, Leonardo Quadros.
“Recebemos acionamentos de colegas de diversas unidades, que abriram chamados requerendo a revisão de apontamentos indevidos que afetaram a nota das unidades, impactando a elegibilidade dos colegas vinculados, e vamos levar estes casos à direção da Caixa. Além disso, seguimos cobrando a revisão do regulamento, e que o próximo seja construído de forma negociada, ouvindo os empregados por meio das contribuições apresentadas pelos sindicatos, associações e pela nossa representante no Conselho de Administração”, relata a diretora da Apcef/SP e presidenta da Agecef/SP, Fernanda Cristina dos Anjos.