Em entrevista à Reuters Brasil na sexta-feira, 15, o presidente da Caixa, Gilberto Occhi reafirmou a intenção de privatizar operações realizadas pela Caixa.

Occhi disse que a Caixa deve ver sua rentabilidade aumentar com a expansão de negócios nos quais pretende vender participações, como o de seguros, concentrado na Caixa Seguridade.

Embora a Caixa Seguridade já tenha sido privatizada no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e a maior parte de seu capital pertença à empresa francesa CNP Assurances, que tem exclusividade para venda de produtos, ainda há participação da Caixa nas definições de políticas da Caixa Seguridade e garantias com relação a utilização de seu balcão (agências da Caixa) e venda de produtos que dispõe.

“A ameaça da privatização do banco público, por meio de fatiamento de suas operações, continua a assombrar os empregados da Caixa. O presidente do banco, por sua vez, não deixa a informação clara e, ainda, substitui a palavra privatização por parcerias”, diz o diretor-presidente da APCEF/SP, Kardec de Jesus Bezerra.

Outro fato reafirmado na entrevista é o da privatização da loteria instantânea. O presidente da Caixa diz que vai oferecer os produtos de loterias ao mercado à procura de um sócio majoritário para a Lotex, braço de negócios de loterias instantâneas.

Da mesma forma, Occhi procura sócio para a divisão de cartões, embora afirme que o negócio esteja em fase inicial.

“Essa nova gestão da Caixa tenta mascarar suas definições, mas não consegue esconder tudo e começa a mostrar a que veio”, diz o diretor presidente da APCEF/SP.

Reduzir a participação no mercado – de acordo com Occhi a Caixa está negociando com o Tesouro Nacional a redução de percentual dos lucros que repassa à União. Ele diz estar ciente de que, após vários anos de crescimento acelerado do crédito, o banco estatal agora tem que cuidar de reforçar o capital e melhorar a geração de resultados.

Essa decisão pode causar impactos a participação da Caixa no mercado financeiro. Vai ‘devolver’ aos bancos privados a fatia significativa abocanhada pela Caixa com sua política de créditos dos últimos anos. Uma das consequências do possível encolhimento da Caixa seja a elevação das taxas de juros em empréstimos. Em resumo: o presidente da Caixa sinaliza a concorrência (outros bancos), mais uma vez, que o banco irá tirar o pé do acelerador.

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