O Comando Nacional dos Bancários realizou, na quinta-feira (2), a primeira rodada de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), cuja vigência precisa ser renovada até a data-base da categoria, em 1º de setembro.
Nesta primeira mesa, o movimento sindical apresentou reivindicações relacionadas às cláusulas sociais, com destaque para a inclusão de pessoas com deficiência (PCDs), a implementação da jornada 4×3, a defesa do teletrabalho com garantia do direito à desconexão e medidas de segurança bancária diante do crescimento das fraudes digitais.
Em relação aos PCDs, o Comando Nacional apontou que, apesar do aumento da participação desses trabalhadores na categoria, houve saldo negativo de empregos entre 2020 e 2026, com mais desligamentos do que contratações. Por isso, foram reivindicadas novas admissões, oportunidades de ascensão profissional e abono de faltas para tratamentos e acompanhamento de filhos com deficiência.
Outro tema de destaque foi a proposta de escala 4×3 — quatro dias de trabalho e três de descanso. Segundo os representantes dos trabalhadores, o avanço da automação e das novas tecnologias no setor bancário permite discutir a redução da jornada sem prejuízo à produtividade. A Fenaban aceitou realizar um estudo conjunto sobre os impactos e a viabilidade da medida.
O Comando também defendeu a manutenção do teletrabalho, conquista consolidada nas negociações de 2020, e cobrou o respeito ao direito à desconexão, para que os bancários não sejam acionados fora da jornada, em férias, feriados ou períodos de descanso.
Na área de segurança, o movimento sindical alertou para o crescimento das fraudes financeiras digitais e relacionou o problema à redução de postos de trabalho e ao fechamento de agências físicas. A reivindicação é por mais investimentos em segurança, fiscalização e equilíbrio entre atendimento digital e presencial.
Durante a negociação, os representantes da categoria também pediram a assinatura de um acordo de ultratividade, que garantiria a manutenção dos direitos previstos na CCT até a conclusão das negociações. A Fenaban, entretanto, recusou a proposta, repetindo a posição adotada em campanhas anteriores.
A próxima rodada de negociação está marcada para 7 de julho e terá como tema a defesa do emprego bancário. Para ampliar a mobilização, as entidades sindicais convocaram um Dia Nacional de Luta em 6 de julho, com manifestações nas redes sociais e atividades contra as demissões e o fechamento de agências.
Para a secretária de Direitos Bancários da Apcef/SP, Luiza Hansen, este é um momento decisivo para a categoria. “As negociações já começaram e as minutas de reivindicações, tanto da campanha geral quanto da específica da Caixa, já foram entregues. Agora é hora de os empregados estarem atentos e mobilizados, acompanhando as notícias da Apcef/SP, sindicatos e a CONTRAF-CUT para construirmos uma campanha forte, com a manutenção dos nossos direitos e avanços em novas conquistas”, afirmou.
Para a Apcef/SP, é fundamental que os empregados da Caixa acompanhem de perto as negociações da Campanha Nacional 2026, participem das mobilizações e se mantenham informados pelos canais da associação e das entidades sindicais, fortalecendo a luta pela manutenção dos direitos e por novos avanços para a categoria.