A Apcef/SP realizou, na noite desta quinta-feira (13), uma live para discutir os principais temas da Campanha Nacional dos Bancários. O debate abordou questões de grande interesse dos empregados da Caixa, como a proposta do banco para o Saúde Caixa, as condições de trabalho e a remuneração variável.

A live foi mediada pela diretora-presidenta da Apcef/SP, Vivian Sá, e contou com a participação do diretor da Associação, André Sardão, e do diretor de Saúde e Previdência da Fenae, Leonardo dos Santos Quadros.

Também participaram do debate Aline Cardoso Pereira, Maria Lúcia Cavalcante Dejavite (Malu) e Fábio Neves Mancuzo, representantes eleitos no Conselho de Usuários do Saúde Caixa (CUSC); Fernanda Cristina dos Anjos, diretora da Apcef/SP e presidenta da Agecef/SP; Tesifon Quevedo Neto, representante da FEEB-SP/MS na CEE Caixa; Joana Lustosa, vice-presidenta da Agecef/AP e secretária-geral do Sindicato dos Bancários do Amapá; Eduardo Nunes, secretário de Direitos dos Bancários da Apcef/SP na última gestão; e Hugo Saraiva, representante da Fetec-CUT/SP na CEE Caixa.

Clique aqui para assistir à live.

Durante a transmissão, os participantes apresentaram informações, análises e esclarecimentos sobre os temas em negociação e responderam às principais dúvidas dos empregados. “Recebemos muitas perguntas por e-mail e, infelizmente, não conseguimos responder a todas durante a live, principalmente por questão de tempo. Vamos reunir as questões que não foram respondidas e, na medida do possível, encaminhar os esclarecimentos”, explicou a diretora-presidenta da Apcef/SP.

A transmissão foi dividida em três blocos. O primeiro tratou do Saúde Caixa; o segundo, da remuneração variável, com foco no Super Caixa e no Bônus Caixa; e o terceiro abordou as negociações específicas com a Caixa.

Saúde Caixa

O principal ponto debatido foi a proposta apresentada pela Caixa na última rodada de negociação para o custeio do Saúde Caixa.

Entre os principais pontos da proposta estão:
– Mensalidade dos titulares: de 3,5% para 5,5% da remuneração-base;
– Dependente direto: de R$ 480 para R$ 870;
– Dependente indireto: de R$ 480 para R$ 930;
– Filhos de 24 a 27 anos: de R$ 800 para R$ 1.050;
– Limite de comprometimento da renda familiar: de 7% para 14%.

A proposta foi rejeitada em mesa pelos representantes dos empregados, por transferir ainda mais custos para os usuários e não apresentar uma solução estrutural para o financiamento do plano.

“Quando a gente olha os números do Saúde Caixa, fica claro que o modelo de custeio já está muito distante do histórico 70/30. Em 2025, a Caixa respondeu por aproximadamente 54% do financiamento, enquanto empregados, aposentados e pensionistas arcaram com cerca de 46%”, explicou Leonardo Quadros. “E por que isso acontece? Porque o estatuto da Caixa limita a participação do banco a 6,5% da folha de pagamentos e dos proventos. Como as despesas do plano vêm crescendo acima dos reajustes da folha, a contribuição da Caixa não acompanha o aumento dos custos. E quem acaba pagando essa diferença são os usuários. Por isso, uma das principais reivindicações da campanha é justamente o fim desse teto estatutário e o restabelecimento efetivo do modelo 70/30”, completou.

Também foi destacado o avanço das negociações com a Caixa para a realização de um convênio de reciprocidade com a Cassi. A medida ajudaria a solucionar uma das principais queixas dos usuários do Saúde Caixa: a deficiência da rede credenciada em pequenas cidades.

Remuneração variável

No segundo bloco, os convidados discutiram a remuneração variável, com destaque para as críticas ao regulamento do Super Caixa. Segundo Joana Lustosa, o modelo não foi construído nem debatido com os representantes dos empregados e não reconhece adequadamente quem efetivamente realizou as vendas. “Uma única reclamação na Ouvidoria pode tirar a remuneração de toda uma equipe e, apesar de todos os debates, a Caixa não aceitou fazer mudanças no regulamento”, explicou.

A representante dos trabalhadores reforçou a defesa da campanha Vendeu, Recebeu: “A Caixa recebe pelas vendas. Os empregados também deveriam receber”.

Fernanda dos Anjos destacou que a Caixa não tem considerado as reivindicações dos representantes dos trabalhadores nos debates sobre o Super Caixa, tema que, segundo ela, tem impacto direto no cotidiano dos empregados. “As pessoas contam com esses valores, se planejam. E mal sabem se vão receber ou não”, reforçou.

Campanha Nacional dos Bancários

No último bloco, os participantes falaram sobre o andamento das negociações específicas com a direção da Caixa. Entre os temas abordados estiveram a valorização da área de TI, as funções por minuto, a revisão do PFG e do PCS, o modelo Figital, o teletrabalho e a necessidade de processos seletivos internos (PSIs) mais transparentes e que respeitem a diversidade. “A própria Caixa admitiu que mulheres e negros têm mais dificuldade de serem aprovados em PSIs”, lembrou André Sardão.

Tesifon ressaltou que, até o momento, a Caixa não apresentou proposta para a pauta de reivindicações dos empregados do banco.

Nesta sexta-feira (14) está prevista mais uma rodada de negociação com a Caixa. Acompanhe o site e as redes sociais da Apcef/SP para conferir as novidades e o andamento das negociações:

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