Nós, empregados e empregadas da Caixa Econômica Federal, vivemos em 2026 um ano decisivo para o presente e, sobretudo, para o futuro da nossa empresa e da nossa categoria. Trata-se de um período marcado por intensas disputas políticas, sindicais e institucionais, que exigirão organização, unidade e consciência de classe.
Já no primeiro semestre, acumulamos importantes processos eleitorais nos espaços de representação que a luta dos trabalhadores conquistou ao longo dos anos, como o Conselho de Administração da Caixa e a Funcef, além das eleições em sindicatos, associações e demais entidades que compõem o amplo e diverso ecossistema da Caixa. Esses espaços não são meramente formais: são trincheiras fundamentais da luta sindical e da defesa dos direitos dos empregados.
No entanto, é no segundo semestre que a conjuntura tende a se acirrar. Estaremos diante do Dissídio Coletivo e da renovação do Acordo do Saúde Caixa, duas pautas estruturantes que mobilizam corações, mentes e corpos da nossa categoria, exigindo participação ativa, presencial e organizada nas mesas de negociação, nas assembleias e, se necessário, nas ruas.
Mas é preciso ter clareza: esses não serão, isoladamente, os nossos maiores desafios. 2026 é, acima de tudo, um ano eleitoral. Um ano em que projetos antagônicos de país estarão em disputa e em que as emoções tendem a aflorar. Para nós, trabalhadores de uma empresa pública estratégica, trata-se de uma conjuntura que pode redefinir direitos, condições de trabalho e a própria existência da Caixa enquanto empresa pública.
A experiência recente deixa lições duras. Basta lembrar quantos anos a mais de trabalho nos foram impostos após a contrarreforma da Previdência, aprovada em um contexto de ataque frontal aos direitos sociais e trabalhistas. Fingir que a política não interfere diretamente em nossas vidas profissionais e pessoais é, no mínimo, negar a realidade concreta que vivemos enquanto classe trabalhadora. É ser negacionista.
Por isso, para nós, da Caixa, 2026 precisa ser o ano de transformar o discurso em prática. Defender a Caixa 100% Pública não pode se restringir a hashtags, discursos vazios ou debates rasos em grupos de WhatsApp. Trata-se da nossa pauta central, estratégica e inegociável.
Mais importante que qualquer cláusula do Acordo Coletivo. Mais importante que o equilíbrio atuarial da Funcef. Mais importante, inclusive, do que o próprio Saúde Caixa. Porque sem uma Caixa 100% Pública não haverá Acordo Coletivo, não haverá fundo de pensão sustentável, não haverá plano de saúde. Sem Caixa pública, não há direitos. Sem Caixa pública, não há futuro, não há Caixa!
Essa defesa passa, inevitavelmente, pela disputa de projetos de país. Independentemente de preferências individuais, se você gosta ou não da Esquerda, se você gosta ou não do Lula, é fato que os diferentes projetos colocados no debate nacional possuem visões profundamente distintas sobre o papel do Estado, das empresas públicas e, em especial, da Caixa Econômica Federal.
O risco de privatização – seja direta, seja disfarçada – não é retórico nem conspiratório. Ele é real, concreto e já foi vivenciado por trabalhadores de empresas públicas recentemente entregues à iniciativa privada. Basta ouvir relatos de colegas da Copel, Sabesp, Eletropaulo e outras estatais sobre perdas salariais, precarização das condições de trabalho e demissões em massa após esses processos.
Na Caixa, sentimos na pele esse projeto durante uma gestão Bolsonaro/Paulo Guedes/Pedro Guimarães, marcada pelo fatiamento da empresa, pela criação de subsidiárias e pelo avanço de uma estratégia de privatização gradual, a chamada “privatização em partes, privatização light”, via IPOs.
Fundos, Loterias, Seguridade e Cartões – áreas estratégicas e altamente lucrativas – foram alvos diretos de um projeto que visava enfraquecer a Caixa enquanto banco público integral, preparando o terreno para sua dilapidação.
Diante disso, a campanha eleitoral exigirá de nós mais do que posicionamentos individuais. Exigirá mobilização coletiva, formação política e disposição para o diálogo – inclusive nos espaços mais difíceis, como os almoços de domingo em família. Será necessário reafirmar, com argumentos sólidos, o papel histórico e estratégico da Caixa no desenvolvimento nacional, na execução de políticas públicas, no financiamento da habitação, do saneamento, da infraestrutura e na promoção da inclusão bancária onde o mercado privado não chega – ou não quer chegar.
Somos empregados e empregadas da Caixa. Temos orgulho da nossa história e do nosso papel social. E não aceitaremos passivamente que, sob o discurso falacioso do “menos Estado”, se destrua um patrimônio público construído com o suor do povo brasileiro e com o compromisso diário de seus trabalhadores.
Defender a Caixa 100% Pública é defender emprego, direitos, soberania e justiça social.
Em 2026, essa não é apenas uma escolha política. É um dever histórico da nossa categoria!