Unidade. Esta palavra resume o que o associado José Augusto Souza (foto), empregado da Caixa aposentado, viveu na Greve das 6 Horas Já!

A greve pela jornada de seis horas, a primeira nacional dos empregados da Caixa, aconteceu em 1985. Foi uma paralisação de 24 horas, de quase 100% dos empregados do banco público. Naquele ano, o país vivia o período final da ditadura militar, com o governo do general João Batista Figueiredo.

Augusto lembra que “embora uma ideologia de extrema direita tivesse deixado o poder em 15 de março de 1985, as sequelas da ditadura ainda estavam impregnadas nas pessoas”. Não havia liberdade para expressar opiniões de nenhuma forma e os trabalhadores sentiam-se ameaçados e com medo.

Os economiários, como ainda eram chamados os trabalhadores da Caixa, faziam exaustivas jornadas de 8 horas diárias, trabalhavam duro em um período em que a Caixa detinha o maior número de contas poupança do Brasil e os recursos disponibilizados na época não ofereciam agilidade.

Máquinas de escrever, ligação telefônica somente com o intermédio da telefonista, calculadoras gigantes, telex e outros aparelhos, eram os equipamentos utilizados pelos empregados da Caixa naquela década.

“Nossa inspiração pela jornada de trabalho de 6 horas partiu justamente do movimento que se iniciava nos sindicatos, pelos trabalhadores dos bancos privados”, conta Augusto.

Mas, os empregados da Caixa ainda não se sentiam bancários e não eram vinculados à sindicatos, com isso, eles organizaram a Greve das 6 Horas Já! por conta própria, assumindo todos os riscos.

Naquele ano, o Augusto trabalhava na agência Santos, que ficava na histórica Rua XV de novembro, na cidade da Baixada Santista.

Ele conta que existia um sentimento de união entre os empregados, que tornou o movimento forte e encorajou a todos a enfrentar os desafios daquela greve histórica.

“Estávamos unidos, isso nos fazia pensar que a Caixa não poderia demitir todos os empregados ao mesmo tempo”, diz emocionado.

Essa unidade acontecia em todas as esferas, a hierarquia institucional não prevalecia ao coleguismo. “Nós tínhamos o respaldo moral da gerência”.

Augusto emociona-se ao lembrar que os empregados se reuniram na escadaria da Prefeitura Municipal de Santos e lá fizeram todos juntos o primeiro grito de GREVE!

“O maior legado que podemos passar para essa nova geração de empregados da Caixa é que somente conseguimos algo quando estamos unidos. Unidos perdemos o medo, vencemos e construímos um futuro melhor para as próximas gerações”, finaliza José Augusto Souza, associado da Apcef/SP, que lutou pelo direito da jornada de 6 horas para todos.

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