Há alguns dias, empregados da Caixa que fazem parte do segmento PJ de todo país iniciaram um movimento de resgate ao PJ que tem por bandeira melhores condições e valorização dos empregados que atuam no segmento.

O movimento chamado #SOS PJ já conta com a adesão de mais 1.500 trabalhadores de todo o país e focou na mobilização por meio do Engaje Caixa.

“É muito importante a conscientização, a união e a mobilização dos trabalhadores a fim de buscar melhorias para o segmento. A Apcef/SP apoia o movimento e se coloca à disposição para auxiliar no que for necessário”, disse o diretor-presidente da Apcef/SP, Leonardo Quadros.

Entre os principais problemas apontados pelo segmento estão os produtos pouco atrativos e distantes da ideia da centralidade do cliente; os processos burocráticos e lentos; a estrutura de preços desalinhada com o mercado; a ausência de soluções competitivas em meios de pagamento; o avanço das cooperativas de crédito e o clima interno de exaustão.

Leia o manifesto na íntegra:

#SOS PJ
REFLEXÃO SOBRE O PAPEL INSTITUCIONAL DA CAIXA E OS DESAFIOS NO SEGMENTO PJ

A missão da Caixa Econômica Federal vai muito além da atuação como banco comercial. Somos um agente de desenvolvimento econômico e social, com o dever de atuar de forma anticíclica, democratizando o acesso ao crédito e reduzindo desigualdades. Essa é nossa essência – registrada em nossos documentos oficiais – e deveria orientar cada decisão estratégica, especialmente no segmento Pessoa Jurídica.

Entretanto, na prática, o que temos vivenciado na ponta é um distanciamento crescente entre essa missão e a realidade operacional. O resultado tem sido perda de clientes, adoecimento de colegas PJ e um cenário preocupante de evasão. A percepção é de que estamos ficando atrás dos principais concorrentes – inclusive das cooperativas de crédito – que têm se destacado por oferecer soluções mais atrativas, flexíveis e alinhadas ao perfil do cliente.

Problemas críticos além da cesta PJ

1. Produtos pouco atrativos
Nosso portfólio não acompanha a evolução do mercado. Fintechs e cooperativas oferecem soluções modernas, digitais e integradas, enquanto ainda operamos com processos engessados e pacotes desatualizados.

2. Processos burocráticos e lentos
A demora nas respostas e a falta de agilidade tornam difícil competir em um ambiente onde o cliente exige rapidez e simplicidade.

3. Estrutura de preços desalinhada
A tentativa de equiparar tarifas às dos grandes bancos ignora nossas limitações de tecnologia, usabilidade e escala. Se não oferecemos a mesma eficiência, não faz sentido replicar a mesma política de cobrança.

4. Ausência de soluções competitivas em meios de pagamento
Enquanto concorrentes vinculam isenção de tarifas às maquininhas com taxas atrativas, ficamos sem uma estratégia integrada e consistente, perdendo espaço em cotações e fidelização.

5. Avanço das cooperativas de crédito
O maior fluxo de migração não se dá para grandes bancos, mas para cooperativas, que se aproximam do cliente com:
– cestas mais acessíveis
– Pix sem tarifas
– remuneração de contas por movimentação
– presença ativa em eventos e parcerias

6. Clima interno de exaustão
Os colegas PJ estão adoecendo, pedindo afastamento ou deixando a instituição. A sobrecarga e a falta de perspectivas criam um ambiente de desânimo, que impacta diretamente o atendimento e a retenção de clientes.

A questão da nova cesta PJ

A recente alteração na tabela de tarifas PJ intensifica um cenário já delicado. A justificativa de alinhamento com o mercado desconsidera nosso contexto: tecnologia limitada, processos lentos e perda acelerada de clientes. A mudança, se implementada da forma anunciada, tende a agravar a evasão, principalmente no varejo, onde a concorrência das cooperativas é mais forte.

Caminho necessário

Nosso diferencial histórico – o relacionamento próximo com o cliente – já não se sustenta sozinho. Precisamos resgatar nossa missão institucional e traduzir isso em estratégias práticas:
– rever urgentemente a nova cesta PJ
– reestruturar produtos e tarifas com foco no cliente
– investir em soluções digitais simples e competitivas
– apoiar a rede, valorizando os colegas PJ e ouvindo suas experiências
– melhorar processos e diminuir burocracia
– criar diferenciais claros para retenção e prospecção de clientes
– garantir maior flexibilidade de tarifa Pix para o gerente, permitindo condições diferenciadas de acordo com o perfil e a necessidade do cliente

Mais do que isso, é fundamental compreendermos que a Caixa precisa se manter uma única empresa, com pessoas unidas pelo propósito de mantê-la viva. Sem união entre direção, rede e estratégia, não conseguiremos sustentar nossa existência diante dos desafios do mercado.

Se nada mudar, corremos o risco de perder não apenas clientes, mas também nossa própria existência enquanto instituição pública essencial para o desenvolvimento do país.

Ass.: PJ da Caixa

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