Na quinta-feira, 13, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região realizou o Seminário “Saúde e Previdência, direitos fundamentais em risco”. O secretário de Direitos Previdenciários da APCEF/SP, Valter San Martin participou do evento.

O debate da Previdência Social no Brasil não se faz isoladamente, pois, em nosso sistema ela faz parte da Seguridade Social, composta pela Saúde Pública, Assistência Social e a Previdência Social.

Por isso, quando se fala em reforma da Previdência não é possível pensar apenas em aposentadoria, mas em saúde do trabalhador e programas sociais, que também serão afetados com as mudanças propostas.

Segundo o economista Rodrigo de Ávila, presente ao Seminário, a Previdência não está falida. “Hoje, no caixa do Tesouro Nacional existe R$ 1,2 trilhão e não se fala nisso, porque a ideia é propagar que o Estado está quebrado, para justificar as reformas”.

Para o ex-ministro da Previdência, Carlos Gabas, as propostas de reforma apresentada por Michael Temer e a proposta, que ainda não está no papel, do presidente eleito Jair Bolsonaro, mesmo em moldes diferentes, são prejudiciais aos trabalhadores.

“A proposta do Bolsonaro, que ele tem falado exaustivamente, muda o modelo da Seguridade Social, acaba com essa solidariedade e impõem um modelo individual de capitalização. Neste formato, será o fim do direito dos trabalhadores e o fim da proteção social no país”, reforçou.

A proposta especulada é a de que o presidente eleito quer adotar um sistema de capitalização da aposentadoria, semelhante ao implantado no Chile no início dos anos de 1980.

O economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos – Dieese, Fausto Júnior, apresentou estudo feito pelo Departamento quanto a simulação comparando o sistema atual com o da reforma proposta pelo presidente eleito. Se o trabalhador descontar R$ 76,32 por mês, durante 35 anos, ao final, ele receberá R$ 954,00 ao mês pelo sistema vigente e, apenas, R$ 225,00 na previdência privada.

O ex-ministro da Saúde e Deputado Federal eleito, Alexandre Padilha afirma que no transcorrer da vida laboral os direitos garantidos pela Seguridade Social como seguro-desemprego, afastamentos, auxílio-doença e outros deixarão de existir com a reforma da Previdência.

“O sistema de capitalização consiste no trabalhador fazer sua própria poupança, com os seus recursos e essa poupança é que garantirá a sua própria aposentadoria, ou seja, o trabalhador sozinho é que garante a sua aposentadoria, sem qualquer participação da empresa ou do governo”, diz Padilha.

Para Valter San Martin, o sistema financeiro é o maior interessado na aprovação desta reforma. “Os banqueiros estão de olho na reforma da Previdência, pois visualizam mais uma fonte de lucro com a rentabilidade do dinheiro suado do trabalhador em suas operações de capitais”.

:: Clique aqui e assista ao vídeo completo do Seminário.

Compartilhe: