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09:40h 01.03.10 - Valor Econômico - Carolina Mandl
Caixa testará mercado com letra financeira de R$ 3 bi

Depois de a letra financeira ter sido regulamentada pelo Banco Central na semana passada, os bancos começam agora a avaliar agora quais taxas de remuneração vão pagar aos investidores que comprarem o papel.

Como até agora as instituições financeiras não tinham um instrumento de dívida de longo prazo no mercado doméstico, elas estão avaliando qual será o melhor parâmetro para a formação dos preços das letras. Segundo instituições financeiras entrevistadas pelo Valor, são os certificados de depósito bancário (CDBs) de mais longo prazo que tendem a servir de parâmetro para a definição das taxas.

"O começo da letra financeira será uma tentativa de formar uma curva de preços e prazos", afirma Paulo Vaz, diretor de tesouraria do Itaú BBA. A instituição tem interesse em lançar o papel, mas ainda não faz previsão de quando isso ocorrerá. Por enquanto, o banco está estudando as taxas pagas pelos CDBs.

Para o Santander, um dos pontos que mais vão pesar na definição da remuneração das letras financeiras é a existência de um mercado secundário. "A ideia é que sejam papéis de longo prazo. Por isso, se o investidor tiver a possibilidade de repassar o papel, o risco cai e, consequentemente, as taxas também", avalia Gustavo Summers Albuquerque, superintendente de gestão de balanços do Santander. Hoje essa revenda não existe para os CDBs de longo prazo.

A instituição também está estudando o custo das emissões de CDB para definir as taxas que pagará na emissão das letras, mas ainda não sabe quando as lançará. Em março de 2009, o banco emitiu R$ 1,5 bilhão em CDBs com vencimento em dez anos por 13,8% ao ano. A remuneração do papel será paga apenas no vencimento dele, juntamente com o principal.

Mesmo ainda buscando uma taxa ideal para a emissão, a Caixa Econômica Federal pretende testar o apetite do mercado no próximo mês com uma oferta de cerca de R$ 3 bilhões, com vencimento em cinco anos. "A letra financeira não é um produto simples. Até hoje, o Brasil sofre com a falta de financiamento de longo prazo. Não é da noite para o dia que vai passar a tê-lo", afirma Márcio Percival, vice-presidente de finanças da Caixa.

Os bancos pretendem utilizar as captações feitas com letras financeiras para financiar projetos empresariais de longo prazo. Por regulamentação, o prazo mínimo dos novos papéis é de dois anos. Isso possibilita que empreendimentos de grande porte, como as obras de infraestrutura, sejam custeados pelas letras.

O financiamento imobiliário também deve ser beneficiado pelos recursos captados pelas letras. A Brazilian Mortgages, braço de financiamento imobiliário da Brazilian Finance & Real Estate (BFRE), estuda emitir os papéis para financiar a compra de imóveis. "Hoje os instrumentos que usamos, como as letras hipotecárias, têm vencimento máximo em 12 meses. É muito pouco", diz Fábio Nogueira, vice-presidente da BFRE.

As emissões das letras, porém, ainda dependem de regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Procurada pela reportagem, a autarquia informou que a criação das regras ainda está em análise, sem um prazo determinado para o lançamento. A expectativa das instituições financeiras, segundo o Valor apurou, é que as exigências da CVM aos bancos sejam mais brandas em relação àquelas feitas as companhias de uma forma geral. Isso porque as instituições financeiras já são fiscalizadas pelo Banco Central.